três baristas
e uma cidade
meu nome é julio bernardo, tenho 50 anos, quase 140 quilos, diabete, pressão alta e adicional de esclerose múltipla.
por conta dessa última condição tenho orientação de não chutar o balde quando o assunto é café e bebidas alcoolicas.
ora, ora. demorou tanto tempo pra eu aprender a usar isso direito e tenho que meter o pé no freio logo na minha vez?
não necessariamente. porque a ideia aqui é justamente a de tirar proveito de minhas próprias limitações pra comer e beber do bom e do melhor dentro do que é possível agir.
de maneira que dificilmente tu vais me ver bebendo uma brahminha ou aquele café bosta de boteco.
ordens médicas.
o álcool é uma paixão que demorou décadas pra ser domada. já o café especial entrou em cena pra valer na minha vida há cerca de uns 16 anos.
palco do pico de outra paixão abandonada, meu famigerado canal no youtube, a cafeteria preferida encerrou suas atividades na semana passada, após dez divertidos anos.
curioso que canal também completa 10 anos. e se procurar com jeitinho, você verá mais 2 baristas em ação, além da mantenedora da pequena loja de café.
uma delas é amiga bastante íntima. embora nos vejamos menos que deveríamos, procuro sempre ter em casa um pacote do ótimo café que ela distribui na charmosa livraria da bela vista.
sei que pode soar estranha a maneira como demonstro afeto, mas é o meu jeitinho.
já a terceira barista é uma jovem que acabou de sair da até então eleita para ser minha cafeteria preferida substituta.
desejo toda a sorte do mundo a todas elas, mas o que quero admitir cá entre nós é que estou com uma dificuldade danada em acompanhar as mudanças que o cotidiano nos oferece.
quanto mais estudo sobre comida e bebida, mais entendo que não é sobre isso que estamos falando, que sempre é sobre gente.
se as coisas tivessem dado mais certo financeiramente, já teria reformado o ótimo apartamento onde moro (sempre digo e reafirmo que sou um privilegiado de merda) pra ele ficar mais fresquinho e sair ainda menos da toca. aqui sempre tem café e goró da melhor qualidade, eventualmente boa comida.
em outros tempos mais festivos já administrei um bar com belo balcão em meu próprio quarto. as circunstâncias que me fizeram sair daquele imóvel foram tão tristes que acho que isso nunca mais vai acontecer.
o texto de hoje era pra fazer um paralelo entre 3 shows que vi por volta de 1993 ( peter gabriel, michael jackson e madonna) e o evento cometido em copacabana no último sábado. mas acabou saindo uma postagem sobre três baristas.
talvez porque seja natural que nos sintamos mais confortáveis descrevendo o que ocorre nessa eterna viagem ao redor de nós mesmos.
aceita um café? ou talvez um dirty martini soe mais adequado?

