plou!
no hay banda graças a zeus
o que você espera de um bar?
bom, eu gosto de várias coisas, depende muito do que quero na noite.
o primeiro contato, antes mesmo do visual, é auditivo. cantina tem que ter barulho de cantina, há lugares que precisam ser mais silenciosos e por aí vai.
mas, e bar de vinhos? qual é o risco beverino de dar ruim?
sim, infelizmente no brasil tende a ser pedante mesmo, ainda maia com a picaretagem da cena de vinho natural que nos assombra.
porém bebe-se.
bar bom é bar perto - não tão longe - e o bar de vinhos que mais frequento é o elevado bar, que além da rica oferta de taças tem uma cozinha de fogo que me agrada muito. o som ambiente não me agrada mas, se comparado com qualquer um dos bares vizinhos, até que se torna aceitável. e na frente tem um parklet tão feio, mas tão feio que se torna bonito. e ainda dá pra contemplar a fauna da rua, pelo menos quando não tem o samba insuportável do bar bem em frente.
em pinheiros há o sede 261, da cássia e dani bravin, que completou 50 anos na semana passada. eu não gosto das cadeiras de praia que ocupam a calçada, mas a intimidade que tenho com as minas é tamanha que é praticamente impossível eu não beber bem. e, dependendo do cozinheiro do dia, também come-se direito. considero como um belo programa dominical.
mas o que quero falar hoje é sobre um bar de vinhos, veja só, na vila madalena, de frente pro forum.
ambiente silencioso - com discreto e agradável som mecânico - boa distância entre as mesas e balcão confortável. meu tipo preferido de bar.
o couvert do bar - com pão da iza tavares, aveludado babaganouch, castanhas ao curry, boa manteiga e delicioso patê de fígado - é um evento que se basta. se quiser focar apenas no vinho, não é preciso pedir mais nada pra comer.
mas seria um desperdício não desejar a anchova cantábrica - nobre ingrediente que anda sendo maltratado em algumas cozinhas paulistanas - e também fazia muito tempo que não comia um nametaké decente. até (ótimo) pastel de queijo teve. e se tem um item que é zuado em bar, a ele podemos chamar de pastel de queijo. imagino que boa parte dos donos de bar da cidade ache que é simples fazer o clássico.
ou simplesmente não se importe.
o que não é o caso da analu torres, que além de cuidar bem do rango - seu cozinheiro é o jovem e talentoso gabriel - sugere com maestria e elegância taças adequadas pra acompanhar cada prato. e eu quase esqueci de mencionar a acelga com bárbaro caldo de sobrasada.
vinhos livres, sem palestrinha. apenas boa bebida e boa comida num salão manêro por um valor acessível pra quem investe nesse tipo de programa. apreciei e voltarei assim que puder.
tenho a sorte de ter três bares de vinho pra chamar de meu. uso cada um de uma maneira.
espero que você também ache pelo menos um que te atenda de um jeito que te agrade.
beijos e boa semana pra nós.
amém?

